Crônicas do Bettella


O braço esquerdo do sofá

Napoleão tinha um carisma excepcional, daqueles que conquistam a gente no primeiro olhar. Era paparicado por todos, menos pelo Bob, que nunca perdoou a popularidade do rival. Quando estava em casa, Napoleão tomava posse do braço esquerdo do sofá e monopolizava a nossa atenção. Bob, coitado, pre...

continue lendo


Um homem na plateia

O auditório estava quase lotado. Restavam apenas alguns lugares espremidos junto às paredes, todos de difícil acesso. Aparício teve que vencer suas aflições. Foi pedindo licença, tropeçando num ou noutro pé, esbarrando num joelho aqui, num cotovelo ali, até vencer a travessia.
É impressionante como ...

continue lendo


A melhor versão de si mesmo

OK, confesso. Às vezes sou fisgado por um desses mantras requentados que perambulam pelas redes sociais até encontrar um desavisado em dia de filósofo. "Seja a melhor versão de si mesmo", aconselhava um simpático candidato a guru digital que não parecia ter muita experiência no assunt...

continue lendo


Sexo, dor e literatura

"IA não transa e não sente dor, então não ameaça a literatura", disse o escritor britânico Ian McEwan. Gostei da frase. Não porque concorde com ela, mas porque ilumina o tema com humor. E também porque os grandes frasistas estão em extinção. Quantos Nelsons Rodrigues, Arianos Suassuna ou S...

continue lendo


Tijolo por tijolo

Homem Não Chora apareceu como sugestão em uma das minhas muitas playlists do Spotify. Na mesma hora, lembrei de uma cena que nunca saiu da minha cabeça. 
Um pedreiro, sentado, escondido entre duas pilhas de tijolos. Lágrimas caiam do seu queixo sem tocar o chão. Seu rosto vermelho e molhado era...

continue lendo


Corais e outras descobertas

Você deve ter reparado que não houve crônica na última semana. O motivo foi dos melhores: férias em Aruba para comemorar as Bodas de Coral. Nada mais apropriado do que um passeio de submarino pelos corais de Oranjestad para celebrar a data.
Viajar é bom, ainda mais para um lugar que parece ter saído...

continue lendo


Você lembra com quem estava na Copa de 2006?

Três guris, todos aparentando menos de dez anos, batem à porta de uma senhorinha.
— Vó, viemos ver o jogo — anuncia o mais alto.
Estão fardados: camisetas dos times locais, calções Adidas já desbotados, kichutes com as travas gastas e uma bola de couro tão surrada que parece ter jogado t...

continue lendo


Todos contra todos

Você já foi assaltado?
Percebo que a pergunta anda em desuso. Talvez porque quase todo mundo já tenha sido. Talvez porque os assaltos estejam perdendo espaço para os golpes e para os crimes digitais. Ou talvez porque simplesmente tenhamos cansado do assunto.
Uma nova pergunta vem surgindo com força ...

continue lendo


Obrigado pela dedicação

Naquele domingo, ele acordou com um amargo na boca. Não era ressaca. Nem azia. Nem refluxo. Tinha gosto de coisa não resolvida. Talvez injustiça.
Então não levantou. Precisava da sabedoria das primeiras horas da manhã. Precisava da mente limpa. 
Ficou imóvel, olhando o teto enquanto os pri...

continue lendo


Tempo de imaginação

Uma grande montanha escondia vários índios em tocaia. A cavalaria que escoltava a carroça dos mantimentos se aproximava da armadilha sem perceber o perigo. Havia tensão no ar. O forte ainda estava longe, e o destino da caravana era incerto. Logo, os tiros do fogo cruzado seriam ouvidos como zunidos ...

continue lendo




Este site utiliza cookies para garantir a melhor experiência.